sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

História

“A gastronomia acompanha-nos e sustenta-nos desde o nascimento até à morte. É ela que nos aumenta as delícias do amor, a confiança da amizade, que desarma a ira e facilita os tratos e nos oferece, no curto trajeto das nossas vidas, o único prazer que, não sendo seguido de fadiga, nos revigora todos os outros”.
Brillat-Savarin

Jean Anthelme Brillat-Savarin (1755 – 1826) foi um dos mais famosos epicuristas e gastrônomos franceses de todos os tempos. Nasceu na cidade de Belley, Ain, e dedicou-se nos primeiros anos da sua vida ao estudo do direito, química e medicina, em Dijon, tendo chegado a praticar advocacia na sua cidade natal. Em 1789, a quando do rebentar da Revolução Francesa, foi nomeado deputado da Assembléia Nacional Constituinte, onde adquiriu alguma fama, particularmente devido à sua defesa pública da pena capital. Adotaria o apelido “Savarin” após a morte de uma tia sua, que lhe deixara toda a sua fortuna sob a condição que adotasse o seu último nome.
Numa fase posterior da Revolução, a sua cabeça ficou a prêmio, e Brillat-Savarin procurou asilo político na Suíça. Mais tarde, mudou-se para a Holanda, e depois para os Estados Unidos, onde permaneceu durante três anos, dando aulas de Francês e de violino.
Regressou a França em 1797 e obteve a magistratura, exercendo até ao fim da sua vida como juiz do Supremo Tribunal. Publicou várias obras de direito e economia, mas a sua obra mais conhecida foi mesmo “Fisiologia do Gosto” (Physiologie do Goût), lançada em Dezembro de 1825, dois meses antes da sua morte.
Considerado por muitos como “o pai da dieta baixa em hidrocarbonetos”, Brillat-Savarin é o autor de frases famosas como “Diz-me o que comes, dir-te-ei quem és” e “a descoberta de uma nova receita faz mais pela felicidade do gênero humano do que a descoberta de uma estrela”.

AFORISMOS DE BRILLAT-SAVARIN

I - O universo só existe porque há vida, e tudo o que vive se alimenta.
II - Os animais se alimentam; o homem come; só o homem refinado sabe comer.
III - O destino das nações depende da forma como elas se alimentam.
IV - Diz-me o que comes e eu te direi o que tu és.
V - O Criador, ao obrigar o homem a comer para viver, convida-o com o apetite e recompensa-o com o prazer.
VI - A gulodice é uma decisão nossa, por meio da qual preferimos as coisas que são agradáveis ao gosto às que não têm essa característica.
VII - O prazer da mesa é de todas as idades, de todas as condições, de todos os países e de todos os dias; pode se associar a todos os outros prazeres e sobra como último para consolar-nos da perda dos outros.
VIII - A mesa é o único lugar onde nunca se sente tédio durante a primeira hora.
IX - A descoberta de um prato novo é mais importante para a felicidade do gênero humano do que a descoberta de uma estrela.
X - Os que ficam com indigestão ou bêbados não sabem nem beber nem comer.
XI - A ordem dos pratos é dos mais substanciais aos mais leves.
XII - A ordem das bebidas é das mais moderadas às mais fortes e perfumadas.
XIII - Não se mudar o vinho é uma heresia; a língua se satura e, depois do terceiro copo, o melhor dos vinhos produz apenas uma sensação confusa.
XIV - Uma sobremesa sem queijo é como uma bela à qual lhe falta um olho.
XV - A bom cozinheiro se chega, mas bom assador se nasce.
XVI - No cozinheiro, a qualidade indispensável é a pontualidade; deve sê-lo também do convidado.
XVII - Esperar demais por um convidado atrasado é uma falta de consideração para com os que estão presentes.
XVIII - A pessoa que convida seus amigos e não dá qualquer atenção pessoal à refeição que os espera não é digna de ter amigos.
XIX - A dona da casa deve sempre se assegurar de que o café servido será excelente; o dono, de que os licores serão de primeira categoria.
XX - Convidar alguém significa ocupar-se de sua felicidade durante todo o tempo em que estiver sob nosso teto.

Extraído de Cozinheiro Nacional. Ateliê Editorial; Editora Senac. São Paulo

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